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19 de dezembro de 2010

O POSITIVISMO E SUA INFLUÊNCIA NO BRASIL

Rosélia Maria de Sousa Santos

1 INTRODUÇÃO

O positivismo surgiu ligado às transformações da sociedade européia ocidental, na implantação de sua industrialização. Embora as origens desse pensamento filosófico datem do século XVIII, somente no seguinte, com Auguste Contes, o positivismo ganhou expressão.
No Brasil a influência do positivismo aparece no início da República e na década de 1970, com a escola tecnicista.
No entanto, é importante registrar que o positivismo perdeu a importância na pesquisa das ciências sociais, porque a prática da investigação se transformou numa atividade mecânica, muitas vezes alheia às necessidades dos países, sem sentido (TRIVIÑOS, 1987).
O presente artigo mostra a contribuição de Auguste Comte à consolidação do positivismo e aborda a influência que essa corrente filosófica exerceu no Brasil.


Auguste Comte
 2 AUGUSTE COMTE E O POSITIVISMO

Embora Auguste Comte seja considerado o maior expoente do positivismo, tal filosofia não nasceu ele. As bases do pensamento positivista começaram a se formar ainda no século XVIII e foram amplamente difundidas após os estudos desenvolvidos por Comte.
Na opinião de Silva (1999), pode-se diferenciar duas fases no desenvolvimento da história do positivismo. São elas: o pré-positivismo ou positivismo do século XVIII e o positivismo de Comte, no início do século XIX.
O pré-positivismo, ou positivismo do século XVIII, originou-se na França e na Inglaterra. Era caracterizado pela aversão à religião e à metafísica, pelo empirismo e pela busca de simplicidade, clareza, representações exatas e precisas e uniformidade na metodologia de estudo de todas as ciências
Por outro lado, Gómez-Granell (2002), afirma que a epistemologia positivista criou uma concepção coerente com a racionalidade da filosofia e da ciência moderna ao considerar o pensamento e a lógica formal como padrões ideais e o conhecimento cotidiano como deficitário, intuitivo, particularista e concreto.
De acordo com Gomide (1999), a filosofia positivista apresenta os seguintes itens fundamentais:
a) Toda proposição científica deve ser empiricamente significante e toda premissa universal deve ter origem indutiva;
b) A teoria tem origem em proposições certíssimas obtidas mediante indução;
c) As leis científicas não fornecem os ‘porquês’ dos fenômenos.
Assim sendo, percebe-se que o positivismo somente aceita como realidade fatos que possam ser observados, transformados em leis que forneçam o conhecimento objetivo dos dados e que permitam a previsão de novos fatos, criando a dimensão da neutralidade da ciência.
Completando esse pensamento, Triviños (1987, p. 38-39) observa que:

[...] a filosofia positiva é uma reflexão sobre as ciências, uma história da explicação racional da natureza que começa pela matemática e evolui até a sociologia, a ciência criada por Comte para investigar com objetividade as leis do desenvolvimento da sociedade e que apresenta como finalidade da inteligência humana a descoberta das leis naturais invariáveis de todos os fenômenos.

Em sua essência, o positivismo busca classificar todos os fenômenos por meio de um reduzido número de leis naturais e invariáveis, afirmando que o estudo dos fenômenos deve começar dos mais gerais ou mais simples. Ele prega que deve haver uma unidade metodológica de investigação, tanto para os fenômenos da natureza como para os fenômenos sociais.
Comte organizou os conhecimentos de modo sistemático e hierárquico, sem se preocupar com a explicação e interpretação dos fenômenos, tidas como contrárias ao espírito positivo, por serem metafísicas ou teológicas. Assim, na ótica de Comte, as ciências devem ser elaboradas por modelos matemáticos e estatísticos, permitindo um caráter fragmentário e disperso ao saber científico.

3 A INFLUÊNCIA DO POSITIVISMO NO BRASIL

No Brasil, o positivismo encontrou um grande sucesso entre os meios acadêmicos militares porque não havia no país uma tradição em pesquisa científica. Na época, o país vivia um momento político de afirmação de uma nova burguesia formada por intelectuais, médicos, engenheiros e militares, que lutavam contra a monarquia, a influência do clero e o caráter feudal dos latifúndios (SILVA, 1999).
A difusão dos ideais positivistas no Brasil ocorreu não pela sua adoção pela maioria da população brasileira ou pela maioria da intelectualidade, mas sim pelo fato de que figuras proeminentes como Benjamin Constant Botelho de Magalhães, no exército e Júlio de Castilhos, na política, serem positivistas.


Benjamin Constant
 No entanto, foi na passagem Império-República, que verificou-se a decisiva influência do positivismo nas mudanças políticas e sociais, objetivando a construção de uma nova ordem. Esse período da história nacional foi caracterizado por campanhas em favor da abolição da escravatura e pró-republicanas.
De acordo com Miorim (1998, p. 88), “a influência do positivismo no Brasil, particularmente entre finais do século XIX e começos do XX, seria uma fator decisivo e reforçador de várias formas de participação da história em livros didáticos e propostas oficiais brasileiras”.
Proclamada a República, os positivistas participaram ativamente da organização do novo regime, contribuindo na introdução do estudo das ciências e na revisão filosófica que procurava romper com a tradição das humanidades clássicas na educação. Posteriormente, na década de 1970, com a escola tecnicista, a influência positivista é novamente notada.

4 CONCLUSÃO

Comte se preocupou com a filosofia da história, afirmando ser a mesma as bases de sua filosofia positivista e que ele também classificou a evolução do pensamento humano nas seguintes fases: o teológico, o metafísico e o positivo.
No entanto, deve-se reconhecer que o Positivismo influenciou de forma considerável a sociedade nos séculos XIX e XX. E, que a Educação é a área onde essa influência foi mais marcante, sendo que nas escolas, tal influência se fez sentir, devido às ciências auxiliares da Educação, a exemplo da Psicologia e da Sociologia.
No Brasil, a influência do Positivismo na educação caracterizou-se pela luta a favor do ensino leigo das ciências e contra a escola tradicional humanista religiosa, contribuindo para a instituição do currículo multidisciplinar, ou seja, fragmentado.

5 REFERÊNCIAS

1. GÓMEZ-GRANELL, C. Rumo a uma epistemologia do conhecimento escolar: o caso da educação matemática. In: ARNAY, J.; RODRIGO, M. J. (org). Domínios do Conhecimento, prática educativa e formação de professores. São Paulo: Editora Ática, 2002.

2. GOMIDE, F. M. Uma reflexão histórica: crítica sobre a hipótese ficção do positivismo. Rio de Janeiro: Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas/CNPq, 1999.

3. MIORIM, Ma. Ângela. Introdução à história da educação matemática. São Paulo: Atual, 1998.

4. SILVA, C. M. S. A matemática positivista e sua difusão no Brasil. Vitória: EDUFES, 1999.

5. TRIVÑOS, A. N. S. Introdução à pesquisa em ciências sociais: a pesquisa qualitativa em educação. São Paulo: Atlas, 1987.

17 comentários:

Senhora dos passaros disse...

Boa noite,
Estava pesquisando sobre o positivismo no Brasil e encontrei sua pagina,gostei muito.
Obrigada
Eliene Silva

Rosélia Santos disse...

Que bom que você gostou Eliene, volte sempre!
Abraços

Rafael07 disse...

Mto bom! rsrsrs

Rosélia Santos disse...

Obrigada pela visita Rafael. Volte sempre!Abraços.

Anônimo disse...

Realmente, umotimo resumo de tudo, parabens

Rosélia Santos disse...

Obrigada pela visita anônimo! Fique a vontade temos coisas ótima por aqui. Abraços

Anderso Mateus disse...

Tbm gostei do que vi me ajudou bastante ...obrigado por publicar

Rosélia Santos disse...

Obrigada Anderso Mateus volte sempre. Esse é o objetivo do Espaço Único ser útil aos seus visitantes e seguidores. Abraços

Anônimo disse...

gostei nuito.
me ajudou bastante à ampliar meu conhecimento sobre o positivismo no brasil..
brigado...

Anônimo disse...

me ajudou bastante,muito obrigado :D

Anônimo disse...

obrigado, me ajudou bastante para o meu trabalho de sociologia!

Lili disse...

Olá Rosélia,

estou fazendo Mestrado em Educação Matemática e estou buscando uma obra que aparece nas suas referências, o livro de Miorim. Se por acaso você não estiver mais usando o livro, será que teria interesse em vender?

Um abraço,
Paula

Rosélia Santos disse...

Prezada Paula,
Na verdade, não tenho o livro e sim cópias. Vou tentar localizá-las e tudo que posso fazer é Scannear e te mandar por email. Entre em contato com o espacounicocriativo@hotmail.com e te enviarei.
Obrigada pela visita. Grande abraço.

Anônimo disse...

estou fazendo um trabalho de escola, e fiquei muito satisfeita com que li em seu blog.
me ajudou muito.

Rosélia Santos disse...

Obrigada pela visita e volte sempre!
Abraços

Anônimo disse...

Rosélia, estou fazendo um trabalho sobre o positivismo no Brasil, e a participação de positivistas na Revolução de 1893, Muito Bom seu trabalho. Parabéns.
Ricardo Souza

Rosélia Santos disse...

Primeiro meu muito obrigada pela visita Ricardo!
Fico muito honrada em saber que foi útil para você. Se for de seu interesse acesse a REVISTA BRASILEIRA DE FILOSOFIA E HISTÓRIA, lá você irá encontrar outros Artigos que podem ser interessantes para você. Grande abraço e volte sempre.

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